Foi oficialmente lançado nesta segunda-feira (15), em Luanda o livro 'Os Mangais de Angola' assinalando um momento relevante para a divulgação científica e a literacia ambiental no país.
O evento foi prestigiado pela Primeira Dama da República, Ana Dias Lourenço. E em representação da Ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, esteve o Secretário de Estado para Acção Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, Nascimento Soares, que realçou que a chegada deste livro traçará um novo caminho para vida sustentável do país.
A obra, dedicada aos ecossistemas de mangal ao longo da costa angolana, chega agora ao público nacional depois de ter sido apresentada internacionalmente em Nova Iorque, no âmbito da 79.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas e da Cimeira do Futuro, fóruns globais onde a protecção ambiental e as alterações climáticas estiveram no centro do debate.
Assinado por Fernanda Renée, Karélia Botelho (Directora Nacional de Educação Ambiental) e Zeca Daniel, o livro propõe uma abordagem acessível e rigorosa sobre os mangais angolanos, reunindo conhecimento científico, observação de campo e testemunhos ligados às comunidades costeiras. A publicação aborda temas como biodiversidade, serviços ecossistémicos, ameaças ambientais, educação ambiental, bem como restauração e conservação destes habitats estratégicos.
Os mangais desempenham um papel crucial na protecção da linha costeira contra a erosão e na absorção de carbono, sendo considerados importantes sumidouros naturais de carbono azul e no sustento de milhares de famílias que dependem da pesca artesanal. Em Angola, estes ecossistemas distribuem-se sobretudo ao longo das províncias de Cabinda, Zaire, Luanda Bengo, Cuanza Sul e Benguela, acolhendo espécies de peixes, crustáceos, moluscos e aves aquáticas, algumas de grande valor económico e ecológico.
Para além do diagnóstico ambiental, a obra alerta para os principais riscos que ameaçam os mangais, como a expansão urbana desordenada, a poluição, o corte ilegal de madeira, a pressão industrial e os efeitos das alterações climáticas, defendendo políticas públicas integradas, envolvimento comunitário e educação ambiental como pilares para a sua preservação.
A apresentação em Angola surge assim, como um convite à reflexão e à acção, num contexto em que o país tem assumido compromissos internacionais ligados à protecção das zonas húmidas e à sustentabilidade ambiental. O livro posiciona-se não apenas como um instrumento académico, mas também como uma ferramenta pedagógica e de sensibilização para decisores, estudantes, investigadores e cidadãos em geral.
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LIVRO “OS MANGAIS DE ANGOLA” CHEGA AO PÚBLICO ANGOLANO APÓS LANÇAMENTO INTERNACIONAL.